Tenho estado muito incomodada com uma coisa esta semana, e já que sempre jogo todas as frustrações e insucessos aqui, por que não me lamentar mais uma vez pros poucos que me leem né? Peço então que por favor me aguentem mais um pouquinho e se este texto tiver sido escrito pra você saiba que isto é bem embaraçoso, mas é possivelmente melhor assim.
Eu até sou uma pessoa amigável. Gosto de companhia, gosto de sair, conversar, me divertir. Evito ter problemas com pessoas, tenho vários amigos, saímos, damos risadas, fazemos coisas juntos. E tenho alguns melhores amigos.
Os melhores amigos são aqueles que sabe-se lá por que razão tem um tipo de relacionamento diferente comigo. São aqueles pra quem não tenho vergonha de ligar às 11 da noite me acabando de chorar, com quem falo de tudo e com quem divido meus segredos mais exclusivos, aqueles pra quem pergunto o que fazer quando estou completamente perdida e que sabem de todo cantinho da minha vida.
Eu me apego muito a estes amigos principalmente. Ver um deles deprimido me deixa num estado equivalente, e meu recorde de ficar brigada e sem falar com um deles é de uma semana (bem sofrida, aliás). Sempre volta a ser como se nada tivesse acontecido, e sempre fica tudo bem.
Acontece que essa semana eu estou tendo um problema com um desses amigos.
Um mal entendido e pronto, eu fiquei magoada, discutimos, falei tudo o que tava entalado, ele entendeu mais errado ainda, não chegamos a lugar nenhum e aqui estamos, sem nos falar e sem entender mais nada. Eu me animando e aquele lembrete de que eu não vou ter com quem comentar do que aconteceu, nem quem convidar pra fazer algo no final de semana ou reclamar da semana de trabalhos e provas e de como você vai morrer pra dar conta de tudo.
Não que eu não tenha com quem falar de tudo isso, mas não é a mesma coisa com alguém tão importante faltando. E aí, o que se faz?
Não ouso dizer que a culpa não tenha também sido minha pelo que aconteceu ou que eu esteja certa em alguma coisa. Mas um desentendimento nunca é unilateral, e ambos temos uma parcela de responsabilidade por isso. Eu já tentei resolver tudo, e não deu certo. E eu queria que só uma vez que fosse ele viesse falar comigo e tentar resolver isso comigo, descobrir exatamente aonde foi que tudo deu errado.
E aí nada nunca acontece e eu vou me sentindo a pessoa mais insignificante do mundo, porque parece que não faz diferença se estou lá ou não, porque ele não se incomoda em vir falar comigo, e não deve, portanto, sentir minha falta. E tudo isso vai adquirindo caráter irreversível, e eu só queria que as coisas fossem fáceis de novo.
Então você vai ficando ali e não sei se tenho raiva, se choro, se ignoro, mas nada se resolve assim e eu não sei mais o que fazer. E só queria que ficasse tudo bem agora.